Tenho inúmeras memórias das férias grandes. A maioria delas giram em torno da fé, família e das nossas  tradições.

Na verdade, quase não tenho memórias de infância que incluam presentes. Lembro-me perfeitamente do ano em que recebi uma bicicleta, outro que eu e o meu irmão recebemos uma Nintendo, e de todos os anos receber meias dos meus avós. Mas tirando isso, as minhas memórias de receber presentes são bastante escassas. O que me fez pensar … o que é que podemos dar aos nossos filhos que lhes fique na memória para o resto da vida?

Aqui fica a minha lista

35 Presentes que os seus filhos nunca esquecerão

  1. Afirmação. Às vezes, uma simples palavra de afirmação pode mudar uma vida inteira. Certifique-se que seus filhos sabem o quanto os valoriza. E relembre-lhes sempre que possível!
  2. Arte. Com o apoio da internet, toda a gente pode criar. O mundo só precisa de mais pessoas com espirito artístico! Ensine o seu filho a ter gosto pelas atividades “faça você Mesmo” e a ser autodidata.
  3. Desafio. Incentive os seus filhos a sonhar. O céu é o limite. Se sonhar o, aparentemente impossível, irá procurar alcançar objetivos acima das suas expectativas. Até os pais ficarão surpreendidos com o que ele consegue fazer.
  4. Compaixão / Justiça. A vida não é justa. E nunca será, porque há muitas variáveis. É matemático. Mas se houver alguma injustiça passível de ser alterada, eu quero que eles sejam os primeiros a querer corrigi-la
  5. O contentamento. A necessidade de ter sempre mais é contagiosa. É um vício. Portanto, um dos maiores presentes que pode dar aos seus filhos é ensinar-lhes a ficarem satisfeitos com o que têm … mas não com o que são.
  6. Curiosidade. Ensine seus filhos a fazer perguntas sobre quem, o quê, onde, como, porquê e por que não. “Para de fazer tantas perguntas!” são palavras que nunca devem sair da boca dos pais.
  7. Determinação. Um dos fatores determinantes no sucesso de uma pessoa é a força de vontade. Mostre-lhe o que é a persistência e determinação.
  8. Disciplina. As crianças precisam aprender tudo, desde o gatinhar, até a ter comportamentos adequados, relacionar-se com os outros, como obter resultados, e como alcançar os seus sonhos. A disciplina não deve ser evitada nem retida, mas sim consistente e positiva.
  9. Incentivo. As palavras são poderosas. Tanto podem criar como podem destruir. Escolha as palavras cuidadosamente de forma a criar pensamentos e caminhos positivos para os seus filho.
  10. A fidelidade. A fidelidade no casamento inclui mais do que apenas a parte física. Inclui o nosso olhar, a nossa mente, o coração e a alma. Demonstre o seu amor pelo seu marido/mulher à frente dos seus filhos. Eles nunca irão esquecer.
  11. Ver o lado positivo. Ajude os seus filhos a ver o copo meio cheio. A ver o lado positivo da vida, e das pessoas que conhecerem.
  12. Generosidade. Ensine seus filhos a serem generosos. A generosidade propaga-se!
  13. Honestidade e integridade. A honestidade é uma qualidade que devemos transmitir aos nossos filhos desde crianças. Assim, haverá uma maior probabilidade de se tornarem adultos honestos e íntegros. E os adultos honestos tendem a sentir-se bem consigo próprios e a desfrutar melhor das suas vidas, evitando situações de stress e dormindo melhor à noite.
  14. Esperança. A esperança é saber e crer que as coisas vão melhorar. Dá-nos força, resistência e determinação. E nos tempos desesperadamente difíceis da vida, alavanca-nos.
  15. Abraços e beijinhos. Uma vez ouvi a história de um homem que disse ao seu filho de 7 anos de idade que ele já era muito velho para beijinhos. Parte-me o coração sempre que penso dele. Fiquem a saber que os filhos nunca são velho demais para receber carinho, e demonstrações de amor por parte dos pais!
  16. Imaginação. Se aprendemos alguma coisa ao longo dos últimos 20 anos, é que o mundo está em constante mudança e evolução. E as pessoas criativas não são as que sofrem com isso: são as que fazem parte desse processo!
  17. A intencionalidade. Eu acredito fortemente na vida intencional e parentalidade intencional. Abrande o ritmo. Considere quem você é, para onde vai, e como vai lá chegar. E faça o mesmo para cada um de seus filhos.
  18. Colo. É o melhor lugar de todo o mundo para ler um livro, contar uma história, ou apenas conversar. E está mesmo à sua frente o tempo todo.
  19. Aprendizagem ao Longo da Vida. A paixão por aprender é diferente de aprender na escola. Esta aprendizagem começa em casa. Ler, brincar, fazer perguntas, analisar e expor. Por outras palavras, aprender a amar através da aprendizagem.
  20. Amor.
  21. Refeições juntos. As refeições proporcionam uma oportunidade única para o relacionamento. Uma família que não faz refeições junta não cresce junta.
  22. Natureza. As crianças que aprendem a apreciar o mundo à sua volta, aprendem também a cuidar do mundo à sua volta. Nós como pais, ensinamos os nossos filhos a arrumar as suas coisas dentro de casa. Não deveríamos ensinar também a arrumar fora dela?
  23. Oportunidade. As crianças precisam de experimentar coisas novas para que possam perceber aquilo que gostam e aquilo em que são boas. E ao contrário da crença popular, tudo se experimenta com pouco dinheiro.
  24. Otimismo. Os pessimistas não vão mudar o mundo. Os Otimistas, sim. Pelo menos eu acredito que sim, e os meus filhos também.
  25. Paz. Sim, não somos nenhumas Misses e sabemos que ao nível mundial é impossível. Mas em pequenas coisas ao nosso redor, fará toda a diferença.
  26. Orgulho. Comemore as pequenas coisas da vida. Afinal, são os pequenos feitos que um dia se tornam em grandes conquistas.
  27. Espaço para asneirar. Crianças são crianças. Isso é o que os torna únicas e divertidas e que nos rebenta com a paciência. Dê-lhes espaço para experimentar, explorar e asneirar.
  28. Auto-Estima. As pessoas que aprendem a valorizar-se são mais propensas a ter autoconfiança, e auto-estima elevada. Como resultado, eles são mais propensos a se tornarem adultos que respeitam seus valores e a cumpri-los mesmo quando ninguém mais está a observar.
  29. Sentido de Humor. Rir com seus filhos todos os dias. Com eles, para eles e rir deles ou de si.
  30. Espiritualidade. A Fé eleva a nossa visão do universo, do nosso mundo e das nossas vidas. E ajuda-nos a aceitar com mais facilidade situações imprevisíveis.
  31. Estabilidade. Um lar estável são os alicerces para uma vida estável. As crianças precisam de reconhecer o seu lugar na família, saber em quem podem confiar, e saber quem está sempre disponível para elas.
  32. Tempo. O presente do tempo é o presente que você nunca pode voltar ou ter de volta. Então, pense com cuidado sobre quem (ou o que) está a receber (ou consumir) o seu.
  33. Atenção exclusiva. Talvez isto possa ajudar: Desligue e volte a ligar.
  34. Singularidade. O que nos torna diferentes é o que nos torna especiais. A Singularidade não deve ser escondida. Deve ser exibida e explorada. Todos somos diferentes. Ajude-os a descobrir quem são.
  35. Uma casa acolhedora. Saber que têm sempre as portas de casa abertas é muito gratificante no crescimento dos filhos. E a sua casa? Transborda a uma casa com vida?

Claro, nenhum desses presentes estão à venda na sua loja de departamento local. Mas, eu acho que essa é a questão.

Por becomingminimalist, traduzido e adaptado por Up To Kids®

Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To Kids®, obtiveram autorização prévia do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

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2 comentários

  1. Cristina Apolinário comentou:

    Assertivo, bem haja, um hino aos valores, ao genuíno, ao imaterial … estes são os presentes que, neste período particularmente difícil, se consegue oferecer. E se apenas se consegue valorizar o ser em detrimento do ter, em tais períodos conturbados – venham eles (sentidos perdões aos que sofrem de verdade que, a esses, respeito profundamente).
    Se já perspetivava alguns, passei a valorizá-los, a tê-los como mote. Consciente contudo de que falho, nuns quantos, e negligencio outros tantos, mea culpa.
    Recordo, também e perfeitamente, receber de uma avó uns simpáticos trocos, que aplicava naqueles sapatos ou trapinhos tão desejados. Curioso é que, dessa avó – uma avó harmoniosa e de bem com a vida, bisavó para os meus filhos, com quem ainda puderam conviver quase uma década – tenha ficado, como legado, não os envelopes gratamente recebidos, mas algo muito mais valioso – a essência do ser. Estranho é que se recorde, dessa avó, não a pilha de loiça, deixada na pia, mas a dedicação a umas saias ou blusinhas; a uns sacos ou sacolas; folhos ou rendinhas e que quase se tenha esquecido o valioso envelope, naturalmente trocado por algo mais precioso – os saberes – afinal foram os saberes que prevaleceram, os bons, os menos bons e até os maus.
    E quando se fala dessa avó, são relembradas as muitas horas: as horas de conversa e de atenção partilhadas; as horas de lápis de cor, de álbuns de colorir e de fotografias, partilhados também; as horas de grinaldas recortadas e de tecidos alinhavados; as horas de provérbios e de lengalengas, sempre partilhados. São lembrados de igual modo os momentos de tensão e os maus momentos. De resto, da libra de ouro, já ninguém se lembra; do cordão de ouro, já se lhe perdeu o rasto. Ah! Mas daquele vestidinho feito a preceito ou daqueles panos acrescentados já todos querem saber – pois se é de habilidade que vive esta memória.
    Curioso é que se recorde, de um avô, não que tenha sido arrancado da escola por ser o primogénito e por isso, naqueles tempos, incumbido a trabalhar, como mandava a lei e não a necessidade, mas por todas aquelas extensas horas de lições de aritmética ou de álgebra; de gramática ou de ortografia; de geografia ou de história que culminavam por norma em recitação. Estranho é que se recorde, desse avô, não os pedaços de terra, os que deixou ou que deveria ter deixado, mas os discursos que invariavelmente desembocavam em lições de história, de literatura, de geografia, de matemática e dos quais se esquivavam filhos, netos, bisnetos, sobrinhos, irmãos e até vizinhos. Lições estéreis, pensava-se na altura, às quais se fingia prestar atenção.
    Matéria infrutífera? Que nada, afinal a paixão pelo conhecimento era a tal herança. E esse avô – de pensamento genuíno, contudo de atuação nervosa – o que ele gostava de partilhar! Era tanta a necessidade de revelar conhecimento, digo, sapiência que se revezavam, por vezes, os que ouviam ou faziam o favor de ouvir, por cansaço ou por desinteresse. Queria lá saber-se de Herodes ou de Ptolomeu!
    Um verdadeiro constrangimento póstumo, ter-se-ia fingido menos, prestado outras atenções, se a história das memórias fosse esclarecida mais cedo. E poderia aqui falar de outros avós, do pai talvez! Não, deste último não, a verbalização seria abafada pelas memórias, tão intensamente viveu e preparou o legado.
    Citando o autor que impulsionou este pequeno desabafo “o que é que podemos dar aos nossos filhos que lhes fique na memória para o resto da vida?” in becomingminimalist, publicado no blog Up To Kids®
    (no meu caso, digo que estou a passar a pente fino todas as memórias que fazem parte do meu processo de aprendizagem, no intuito de as aplicar/passar aos meus rapazes, espero não ter despertado tarde demais, mesmo já andando nisto há 12 anos).

  2. Inês Clímaco comentou:

    Artigo muito interessante, sobre o qual todos deveríamos reflectir. São “presentes” valiosos de custo financeiro zero, mas de muito trabalho. No entanto o que deveremos pensar é que a nossa obrigação de pais para com os nossos filhos é …proporcionar-lhes experiências vivenciadas que os capacite para a vida, desenvolvendo-os como seres autónomos e cidadãos conscienciosos.