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5 razões para abraçar diariamente quem mais ama

 “Dá-me um abraço que seja forte,  E me conforte a cada canto, Não digas nada que nada é tanto, E eu não me importo (…)” –Miguel Gameiro

A História do abraço

Em Psicologia, o referido toque tem a função do contacto e da carícia, com um objectivo  terapêutico. A sua história tem como alicerce – antropológico, clínico e experimental – uma origem histórica. Jesus Cristo curava as pessoas com o toque das suas mãos; tradições da India davam importância às carícias (Tantra e Kamasutra). Antecedentes antropológicos evidenciam que, nas tribos,  o contacto corporal nas suas diversas funcionalidades, é uma necessidade primordial, tanto entre os animais quanto os humanos.

Por outro lado, e já enquadrados na clínica psicológica, Erik Fromm, Winicott, Carl Rogers, Freud Melanie Klein, e Piaget, demonstraram a importância do contacto e dos laços afectivos e emocionais na vida do ser humano durante o seu desenvolvimento, nomeadamente no concerne à relação mãe – filho.

Segundo Toro por exemplo, refere que na clínica médica existem várias evidências que fundamentam que, os transtornos dermatológicos na criança, como por exemplo a psoríase e os eczemas, entre outros, estão associados a doenças psicossomáticas, ou seja com origem emocional. É detectado uma relação tóxica com a mãe, medo do abandono, carência de afecto na primeira infância, fobias e ansiedade.

Do ponto de vista experimental, autores como Spitz (1983) e Montagu (1988) demonstraram, através de pesquisas cientificas, que o toque humano é responsável pela adaptação do ser humano ao ambiente onde se insere, pelo desenvolvimento motor, cognitivo, psíquico da criança, pelo desenvolvimento da linguagem e dos comportamentos saudáveis assim como de uma boa socialização.

O efeito de um abraço

Abraçar diariamente cria um movimento de cooperação que tanto promove o crescimento como a cura, para além de preencher o vazio dos nossos corações. Aquando de um abraço num momento de  compreensão, mostramos os nossos sentimentos ao outro e reafirmamos a nossa crença no que sentimos.

A partilha que fazemos com alguém quando a abraçamos vai para além do mensurável. Partilhamos o nosso calor, parte do nosso corpo ao toque. Refira-se que podemos beijar alguém na face quando a conhecemos como parte de um cumprimento social, mas abraçar alguém….só o fazemos com quem mantemos uma relação realmente próxima, intima. Por vezes nem palavras são necessárias, o silêncio do momento fala por si.

Muitas vezes as crianças quando se magoam procuram instintivamente por um abraço, e nós adultos automaticamente lho damos. Nem pensamos no que fazer, oferecemos logo um abraço. Quando encontramos alguém em trauma emocional, oferecemos imediatamente um abraço, apertando e prolongado muitas vezes.

É quase que como se o abraço estivemos incorporado no nosso ADN, numa forma instintiva de diminuir o sofrimento em alguém, como se de uma cura se tratasse.

A psicologia do abraço

Do ponto de vista psicológico, inconscientemente, quando estamos em sofrimento psicológico e não temos ninguém com quem partulhar o mesmo, temos a tendência para abraçar uma almofada, um cão ou gato, um peluche… A psicoterapeuta Virginia Satir, refere que precisamos de quatro abraços por dia para sobreviver. Precisamos de oito abraços por dia para nos manter. Precisamos de doze abraços por dia para crescer. Segundo investigadores da Universidade da Carolina do Norte, ainda que breve (bastam 20 segundos) um abraço dado por um amigo, companheiro, ente-querido, pode ajudar não só a reduzir os níveis de cortisol que contribuem para o stress, mas também a reduzir a pressão arterial.

5 razões para abraçar diariamente os seus filhos e as pessoas que mais ama

  1. Abraçar liberta oxitocina no sangue.
    Esta hormona é responsável pelo fortalecimento de laços entre os entes queridos e assim como pelo aumento da resposta de solidariedade entre estranhos, levando a um aumento do bem-estar. Não tem efeitos secundários negativos!
  2. Abraçar reduz o stress e a pressão arterial.
    Não há nada melhor do que um abraço para reduzir a ansiedade, porque tem como consequência o fluidizar do sangue que contribui para a redução da pressão arterial.
  3. Abraçar é uma boa acção recíproca.
    Nunca sabemos quais as emoções pelas quais as outras pessoas estão a passar, porque tradicionalmente não demonstramos os nossos sentimentos, nem a nossa vulnerabilidade. Contudo, um abraço pode mudar a vida de qualquer pessoa ao quebrar o esquema mental de um dia menos bom, devolvendo-lhe uma sensação de felicidade.
  4. Abraçar faz a pessoa sentir plenitude e êxtase.
    Sabendo que os nosso corpos possuem muitas terminações nervosas, ao tocarmos noutro corpo estamos a permitir a satisfação de um desejo subconsciente que é o do toque.
  5. Abraçar permite realinhar a mente com o corpo.
    No stress do dia-a-dia fazemos as coisas de forma pouco consciente, dado o pouco tempo que tempo para viver a vida. O abraço dá a sensação de um novo fôlego, de um dia infinito e de uma satisfação plena gerada pelo realinhar do corpo com a mente

Devemos assim valorizar a possibilidade de partilharmos com o outro algo tão simples mas tão poderoso como um abraço.

Permitir parar um pouco neste stress do mundo, no nosso próprio stress, e olhar para quem está à nossa volta, para nós, e partilhar essa energia em pleno.

Comecem hoje a fazê-lo!

imagem@shutterstock

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