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Conhecer as emoções no comportamento das crianças

Conhecer as emoções no comportamento das crianças

A infância é o período do desenvolvimento no qual ocorrem mudanças rápidas e importantes. Com o crescimento emerge a necessidade da criança em descobrir o mundo à sua volta. Este é um movimento de exploração que quando apoiado pelos adultos cria confiança e é responsável pelo comportamento nas relações sociais.

É comum que a criança apresente comportamentos de oposição, faça birras e diga “não vou”, “não faço”, “não quero”. Esta é uma fase em que está a explorar o mundo e a descobrir os limites. O papel dos pais passa por mostrar que se preocupam com ela e ajudá-la a saber até onde pode ir, porque as regras e os limites são laços de afeto e proteção. A consistência das respostas e a disponibilidade para ensinar a criança a gerir as contrariedades vão facilitar a aprendizagem da expressão das emoções nas situações de frustração e a resolvê-las da melhor forma.

O conhecimento emocional é fundamental para o ajustamento da criança, favorecendo a construção das relações sociais positivas, sucesso escolar, controlo dos impulsos e autoconfiança. As crianças emocionalmente competentes são capazes de regular adequadamente as emoções, possuem mais recursos e estão mais aptas a resolver problemas e a lidar com os acontecimentos da vida mais stressantes.

Cada emoção tem uma função diferente no desenvolvimento favorecendo a adaptação da criança aos diversos contextos: o medo ajuda a regular ações impulsivas; a vergonha facilita o ajustamento social; o prazer promove o estabelecimento e manutenção das relações interpessoais adequadas; a culpa promove o sentido de responsabilidade e expressão do comportamento empático; a raiva permite mobilizar estratégias de confronto.

As emoções têm um papel importantíssimo no ajustamento psicológico e social, e contribuem tanto para a sua adequação como para o seu desajustamento.

No caso de inadaptação (ex. perturbação do comportamento) poderá haver um comprometimento do desenvolvimento normal da criança, nomeadamente ao nível social e das relações com os pares pela dificuldade que têm em desempenhar o comportamento previsto pelas normas sociais. Podem revelar enviesamentos no processamento e na avaliação dos estímulos que desencadeiam as emoções, uma menor compreensão e conhecimento sobre as mesmas, ou mesmo problemas na avaliação de consequências de uma determinada forma de expressão emocional. É por isso, comum, que estas crianças recorram a estratégias agressivas de resolução de problemas e que as considerem adequadas.

O prejuízo destes comportamentos pode ser elevado, incluindo envolvimentos em atos de violência, dificuldade na manutenção de vínculos afetivos e sociais, e dependência de drogas.

Como ajudar:

  • Ajudar a compreender o que sente, o que deseja e como conseguir. Quando sente algo negativo, explicar que é natural e procurar uma solução construtiva;
  • Ajudar a acalmar-se em situações de tensão (respirar fundo, pensar em coisas positivas). Elogiar sempre que demonstre capacidade de autorregulação;
  • Utilizar a linguagem dos sentimentos “Estou orgulhoso de ti”, “Estás triste porque não podes jogar Tablet”;
  • Centrar-se nos sentimentos positivos embora falar igualmente sobre os negativos.
  • Falar com a criança sobre as emoções – favorece a aprendizagem na expressão dos sentimentos e na regulação das emoções;
  • Evitar dizer “Não fiques triste” – A criança tem o direito a ficar triste, deve sentir e aprender a regular esta emoção para que se possa adaptar.
  • Nomear as emoções, encorajando a criança falar – Sem a julgar ou criticar, deve ouvir a sua experiência. Pode relacioná-la com situações passadas vivenciadas pelo adulto, descrevendo os seus sentimentos e como procedeu.
  • É importante ensinar as crianças a controlarem os seus comportamentos e pensamentos e a falarem sobre os sentimentos. A capacidade de falar sobre o que sente ajuda a criança na regulação das emoções e dos comportamentos negativos, favorecendo a expressão de sentimentos e a troca de afetos.
  • Após uma situação de conflito, a criança apresenta uma desregulação emocional elevada. Por isso é importante que os pais apenas nomeiem a emoção e deem espaço à criança para se acalmar. “O que sentes agora é raiva. Falamos mais tarde”.

Crianças irritadas que não recebem orientação emocional tornam-se adultos agressivos e com raiva. Os pais devem reconhecer e lidar com a raiva dos seus filhos, ser empáticos, mas não tolerantes. A um ritmo adequado para a criança, devem começar a colocar o que a criança sente em palavras e orientá-la de forma construtiva, dando-lhe oportunidade de se acalmar.~

Sugestões:

  • Imagens retiradas de livros/revistas com expressões faciais (tristeza, alegria…) – Nomear cada emoção, “O que ele/ela está a sentir?”, “Como é que tu sabes que está triste/feliz…?”, “Como é que as pessoas mostram que estão tristes/felizes…?
  • Leitura de um livro infantil, explorar com as crianças as emoções das personagens de acordo com as imagens. Explorar emoções alternativas – “Que outra emoção poderia ter sentido nesta situação?” – Ajudar a desenvolver a compreensão das causas das emoções dos personagens.
  • Refletir 5min. Sobre o que pode fazer para ajudar o seu filho quando sente/expressa tristeza, raiva, medo.

Ana Filipa Ricardo, psicóloga

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