Febre na criança e adolescente - tudo o que precisa de saber

Febre na criança e adolescente – tudo o que precisa de saber

Nesta época do ano aprecem as gripes, constipações e tantas outras doenças que se podem fazer acompanhar por febre.

E quando a febre surge, acaba muitas vezes por ser quase um drama para os pais, quando não sabem exactamente o que fazer.

Nesse sentido, e sendo este um tema tão comum nesta época do ano, este post vem tentar dar uma pequena ajuda. Não se pretende substituir nenhuma observação médica, apenas tentar capacitar um pouco mais os pais para este tema, e transmitir algumas noções importantes.

Ainda para mais porque as ajudas existem, nomeadamente normas e folhetos da Direcção Geral de Saúde (sobre este e outros temas) dirigidos aos pais, e onde foi baseada a maior parte da informação deste post (podem consultar o folheto da DGS aqui )

Então, vamos por partes.

Primeiro, o que é a febre?

De forma simplista, a febre, não é uma doença, mas sim uma manifestação do organismo, que resulta na elevação da temperatura corporal habitualmente em resposta a uma infecção.

A partir de que temperatura consideramos febre?

A temperatura varia consoante a localização onde é medida.

– Assim, se for avaliada a temperatura rectal, considera-se febre quando acima dos 38ºC.

– Quando se avalia a temperatura axilar, apenas se considera febre acima de 37,6ºC.

– Quando avaliada a temperatura timpânica (no ouvido), considera-se febre acima dos 37,8ºC.

Como deve ser medida a temperatura?

É importante ter a noção de que existem vários termómetros no mercado e que é fundamental uma utilização adequada dos mesmos. Apesar de já existirem outras opções no mercado, os mais frequentes, e por isso aqueles que irei abordar, são o  termómetro galinstan, o termómetro digital, e o termómetro timpânico (habitualmente utilizado nos serviços de urgência por maior rapidez e comodidade). Atenção que em seguida estão resumidas as principais indicações de uso, no entanto é fundamental lerem sempre primeiro o folheto informativo que acompanhe o termómetro que adquirirem.

Termómetro digital
Termómetro Galinstan

 

Termómetro timpânico

 

TEMPERATURA RECTAL
Quando se avalia a temperatura rectal,(já agora, é este o método mais rigoroso para avaliação da temperatura corporal), deve introduzir-se a ponta flexível do termómetro  em cerca de 3 cm no ânus, num trajeto paralelo às costas da criança. Se usado o termómetro digital, a temperatura é avaliada ao sinal sonoro. Quando utilizado o termómetro galinstan, a temperatura deve ser avaliada após 3min.

TEMPERATURA AXILAR
Quando se avalia a temperatura axilar, o termómetro deve ser colocados na axila, mantendo-se o braço firmemente encostado ao tronco. Se usado o termómetro digital, a leitura, mais uma vez, é dada aquando do sinal sonoro. Quando utilizado o termómetro galinstan, a leitura deve ser realizada ao fim de 5 minutos.

TEMPERATURA TIMPÂNICA
Quando se avalia a temperatura timpânica, a sonda deve ser orientada para a membrana do tímpano e não para a parede do canal auditivo. Devem ser sempre realizadas 3 determinações seguidas e deve adotar-se o valor medido mais elevado.

Já agora, a “mão da mãe” acaba por ser também um método muito fiável para perceber se existe ou não febre, apesar de não conseguir quantificar a mesma.

Sinais de alerta

Quando uma criança tem febre, quais são os “sinais de alerta”?

Existem sinais que, apesar de nem sempre traduzirem doença grave, nos alertam, e que obrigam, quando presentes, a que a criança seja rapidamente observada por um médico.

Assim, é importante estar atento a:

– Sonolência excessiva ou incapacidade em adormecer;

– Face/olhar de sofrimento;

– Irritabilidade e/ou gemido mantido;

– Choro inconsolável; não tolerar o colo;

– Dor perturbadora;

– Convulsão;

– Aparecimento de manchas na pele nas primeiras 24 a 48 horas de febre;

– Respiração rápida com cansaço;

– Vómitos repetidos entre as refeições;

– Recusa alimentar completa superior a 12 horas;

– Sede insaciável;

– Lábios ou unhas roxas e/ou tremores intensos e prolongados na subida da temperatura;

– Dificuldade em mobilizar um membro ou alteração na marcha;

– Urina turva e/ou com mau cheiro;

– Febre com duração superior a 5 dias completos.

Na presença de um ou mais destes sinais de alerta, a criança deve recorrer a um serviço de saúde.

Sinais “Tranquilizadores”

Quando uma criança tem febre, quais os sinais ”tranquilizadores”?

Estão de seguida descritos aqueles sinais que habitualmente nos tranquilizam dado que estão, em regra, associados a doença que, apesar de poder ser incomodativa e poder necessitar de observação médica, habitualmente não se faz acompanhar de grande gravidade:

– A criança brinca e tem atividade normal;

– Come menos mas não recusa os alimentos líquidos;

– Tem sorriso aberto ou fácil;

– Acalma ao colo e fica com um comportamento quase habitual;

– Tosse seca e irritativa muito frequente, sendo o sintoma que mais perturba a criança, mas sem quaisquer outros sintomas respiratórios nem sinais de dificuldade respiratória;

– Dor a engolir associada a congestão nasal, a olhos vermelhos e/ou a tosse;

– Diarreia ligeira (ou moderada) sem sangue, muco ou pus e sem vómitos;

– Manchas vermelhas dispersas que desaparecem quando comprimidas, que surgem só a partir do 4º dia de febre.

O que fazer para ajudar a criança/adolescente com febre?

– Oferecer água e/ou leite; adequar o vestuário e a roupa da cama à sensação de frio ou de calor; respeitar o apetite;

– Se está confortável não é preciso baixar a temperatura, mas sim vigiar se surgem os “sinais de alerta” anteriormente descritos;

– Se está desconfortável, deve tomar um antipirético (que também é analgésico, pelo que também aliviará a dor);

– Não se deve fazer arrefecimento (banho, compressas, ventoinhas) para baixar a temperatura dado que não contribui nem para a resolução da doença nem para o bem estar da criança;

– Se necessário, contactar a linha 24 (808 24 24 24), ou requerer observação médica.

Antipiréticos

No que concerne aos antipiréticos a administrar, habitualmente são administrados, segundo a posologia e indicação prescritas pelo médico, paracetamol ou ibuprofeno. Não me vou debruçar muito sobre este tema, mas gostaria no entanto de deixar duas informações importantes.

  1. Não se deve dar ibuprofeno nas seguintes situações:

– idade inferior a 6 meses;

– na varicela;

– perante diarreia e vómitos moderados a graves;

– se a criança tiver uma alergia a qualquer medicamento anti-inflamatório;

  1. O objetivo do antipirético é acima de tudo aliviar o desconforto da criança e não eliminar a febre a todo o custo. Mesmo não medicada, a temperatura acabará, em regra, por baixar espontaneamente algumas horas depois. Mas voltará a subir ao fim de poucas horas, e assim sucessivamente, até a doença passar.

Quando é que uma criança/adolescente deve recorrer a um serviço de saúde em caso de febre, sem outros sintomas acompanhantes?

– Se idade inferior a 3 meses de idade (de idade corrigida se nasceu prematura);

– Se idade inferior a 6 meses com temperaturas rectais iguais ou superiores a 40,0°C;

– Em qualquer idade se tiver temperaturas axilares superiores a 40,0°C ou retais superiores a 41,0°C;

– Na presença de um ou mais “sinais de alerta”;

– Se tem uma doença crónica grave concomitante;

– Se tem febre há 5 ou mais dias, ou se a febre reaparecer após 2 a 3 dias de temperaturas normais.

Esperemos que este post vos tenha ajudado. Um bom resto de estação a todos, e sem febre!!!!!

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