Ei-los!

Chegam sempre agora, no final do ano; por vezes a meio. Mas estão sempre lá, eles, os belos dos Encontros Anuais da Empresa. Para muitos, a loucura concentrada num ano de trabalho e esforço; para esses, os Encontros Anuais são equivalentes aos Casamentos: há quem se embebede (muito) e esqueça que é diretor comercial, há o IT júnior que conta tudo em mesas redondas que colaboradores  não sabem apreciar em silêncio e ainda as gaffes do ano num ecrã para todos se rirem uns dos outros, exceto quando é de eles próprios.

Ah, os Encontros Anuais! Há quem não se lembre sequer o motivo da sua existência: havendo uma reunião inicial, apresentam-se números, resultados, conclusões de objetivos (que nunca ninguém atinge), desafios a apresentar para o próximo ano, o que correu mal no que finda. Termina-se e vai-se para um almoço ou jantar e acabou o motivo do Encontro. Segunda-feira logo se pensa no que se escreveu no bloco novo para o efeito.

Convenhamos: a retrospetiva é uma ferramenta maravilhosa para vários assuntos da nossa Vida. A retrospetiva, acima de tudo, é o melhor meio para não se voltar a fazer, não repetir erros; mas também serve para pensar que em equipa que ganha não se mexe, salvo o relativismo que este pensamento possui (por mais que se saiba que existem tantos indicadores para pensar e repensar no decorrer do ano). É o caso do nosso dia-a-dia laboral também. Pessoalmente não sou a favor de contínua retrospetiva: é como quando queremos emagrecer; é um tremendo erro passar a vida a verificar o nosso peso na balança. A retrospetiva deve existir, sim, em momentos cruciais: a meio dos prazos dos projetos a que nos propomos, no final e curtas verificações semanais (ou quando se sentir necessidade).

Desta feita, podemos analisar e rever; e rever pode implicar reestruturação de planeamento. Assusta? Nem por isso. Sejamos honestos: quantos de vós planeiam a semana de trabalho, o To Do List do dia, um mês completo? Pois esse é o passo inicial (ouso dizer, principal) para se atingir os objetivos. A energia que depositamos num planeamento para um objetivo comum tem (deve) ser proporcional ao resultado que queremos atingir: não vale a pena dedicar parte do nosso planeamento (quer seja diário, semanal, mensal ou até anual) em tarefas que se podem delegar ou tarefas acessórias. Nós sabemos que as tarefas são todas importantes: mas umas mais que outras. Simplificar é preciso. E o planeamento nasce naturalmente.

Um bom planeamento, idealmente, deve indicar as datas, tarefas, o tempo (cronómetro precisa-se!) que nos propusemos a efetuar, se é urgente, se é prioritário, se delegamos ou não… Nós podemos ter muita vontade em plantar uma magnólia na nossa varanda: até temos vasos com diâmetro suficiente, espaço e a semente. Mas devemos saber que o PH da terra deve ser ácido, que uma bonita e saudável magnólia só cresce em solo fértil, 50% adubado com estrume… A boa-vontade até existe mas o planeamento e o projeto faz-nos identificar ameaças e/ ou pontos menos positivos que poderão fazer-nos repensar no caminho a seguir e optar, por exemplo, em plantar antes… gardénias.

Não vos desejo um ano de planeamento/ organização/ objetivos a atingir/ retrospetiva… Não, nem pensar! Mas são instrumentos que devem ser utilizados para o ano vindouro. Que o percurso profissional do próximo ano, mentalmente preparados para onde queremos ir (o nosso destino, o nosso fim) seja mesmo uma decisão a tomar no final deste ano porque se definirmos em janeiro já estamos a perder tempo. Mas esse destino deve ser comportável – para nós e para a equipa com que trabalhamos. Caso contrário, numa tal retrospetiva (antes do Encontro Anual das loucuras e do desapego) assustar-se-ão com o objetivo não é tampouco possível de ser concretizado e a frustração ascende o lugar que anseia; a desmotivação imperará e o ano fica perdido e ainda só vamos no verão.

E claro, nada disto faz sentido sem as pausas – e não falo das dos cafés. Falo das pausas nas folgas: a família à nossa espera, os amigos para jantar, a corrida de 5 kms. Desligar para recuperar energias e não entrar em estado de sobrevivência profissional.

Desejo a Todos um Excelente Ano de 2016, recheado de sucessos profissionais e progressos pessoais. Que todos pensemos nos resultados no final do ano e que, dos Encontros Anuais, se retire material para trabalhar o ano seguinte. Não vale a pena trazer as penas; vale a pena, sim, retirar vivências e não repeti-las. Rever os sucessos e multiplicar a receita.

E vá… No Encontro, faça boa cara, relaxe e aproveite para perguntar se a Clara da contabilidade namora.

Por Sofia Cruz, para Up To Kids®
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