Descalço ou em chinelos ele está a chegar. O Natal. Já repararam? Até já há marcas a aproveitarem-se dele, para vender os seus produtos! E ainda estamos em Novembro. Mas o tempo passa, voa, por vezes, impiedosamente. Principalmente se já estamos a caminhar para os “entas”.

O mote para este artigo foi dado através de um vídeo. Nesse vídeo, convidam-se as crianças a escrever para o “Pai Natal” e elas pedem todo o tipo de brinquedos. Depois, pede-se que escrevam para os Pais. Elas hesitam, pensam e quando avançam, colocam os Pais a chorar. Porque o que lhes pedem é o mais simples!

Porque há consciências pesadas.

Porque o simples, pode ser o mais difícil.

Arrisco esta lista porque aprendi há muito tempo: O que é do senso comum, não é assim tão comum!

O que as crianças verdadeiramente querem (e precisam) neste Natal:

  • Uma história contada pelos Pais, mesmo que sem muito jeito;
  • Uma brincadeira sem pressas com os Pais;
  • Um jogo que inventem com os Pais;
  • Um segredo que partilhem com os Pais;
  • Um beijinho dado pelos Pais ao deitar que demore 15 preciosos minutos;
  • A construção de uma trotineta com os Pais;
  • Descer uma rua (Ai o transito! Ai o perigo!) com essa trotineta;

Que coragem! Num mundo consumista e, porque não assumir, capitalista, quantos foram os corajosos que tentaram espalhar uma mensagem diferente?

Esta coisa de nos queixarmos porque “vivemos uma crise de valores” mas depois pouco fazemos para melhorar, deve acabar! Vamos pensar mais, vamos pensar melhor.

Pai, este Natal faça algo original…bonitas palavas, não? Mas não são apenas palavras. Ainda ontem a minha mulher dizia:

O ano passado o pai participou na elaboração do Calendário do Advento. Este ano vamos fazer aquela atividade da vela. Apagamos a televisão e ficamos a olhar para a chama, Conversamos e contamos histórias. Falamos sobre o que é o Natal para a nossa família.

Foi lindo ver os meus filhos com a boca entreaberta. Apagar a televisão ? Olhar para uma vela? Advento?

Com estes pequenos passos vamos fazendo história.

Já que falamos em histórias, ficam algumas ideias para a “época natalícia”:

  • Temos uma excelente oportunidade para contar a história do Natal. Porque existe Natal? Não vá um dia acontecer eles só conhecerem o nome do gerador do Natal, por ter o nome de um treinador de futebol…
  • “Se os meninos não brincam, eles ficam diminuídos em suas possibilidades de manifestação” diz Lydia Hortélio, professora de música e pesquisadora. Por isso, podemos fazer da preparação, do presépio, das lâmpadas, uma brincadeira.
  • Quantos presentes os Reis Magos levaram de acordo com a tradição ? Três? Então, porque não reduzir a esse número os presentes que as crianças podem receber?
  • Todas as pessoas celebram o Natal? Esta pode ser uma excelente ocasião para promover a tolerância e falar dos diferentes costumes. Os miúdos adoram
  • Qual foi aquela história caricata que aconteceu na sua peça de teatro sobre o Natal? A família vai adorar saber que se enganou no texto, ou que houve um ator que caiu em pleno palco. Estas histórias humanizam a época.
  • Quais as melhores recordações dos seus Pais? As melhores recordações que guarda deles nesta época? Iam ver aquela Árvore de Natal montada na rua? Comiam castanhas?
  • Qual a sua lista “O que as crianças (verdadeiramente querem e precisam) neste Natal”?

Bom Natal.

Publicado por Alfredo Leite

38 anos, casado, pai de três filhos, psicólogo de profissão, por vocação e de coração. Lisboa. Gosto de iniciativas “sem tretas” e com alma. Como a Up to Kids, por exemplo. Não gosto de conversa fiada, nem de protagonismos. Assusta-me a ligeireza com que se enfrentam os problemas educacionais, como se colocam as esperanças na retórica e nas ações de cosmética. Também me assusta a falta de esperança. Assusta-me a rotina. O saber de cor (ao domingo, como diz a música) o que se vai dizer segunda-feira, deixa-me irritado. Não quero. Foi ainda no Instituto Superior de Psicologia Aplicada que tomei duas decisões fundamentais para a minha prática profissional atual. Uma delas foi escolher o ramo Educacional. A outra foi encantar-me pela Psicologia Positiva. Sempre me interessou mais a prevenção do que a remediação, mais a promoção de competências do que a doença, mais as histórias com objetivos, em vez de estudos intermináveis e com pouca aplicação prática. Um dia, na Biblioteca do ISPA descobri uma monografia que concluía que um Psicólogo Educacional deve ser especialista em comunicação. Adorei! Hoje comunico em Palestras, Conferências, Ações de (trans) Formação e Sessões de Sensibilização em Escolas de todo o país. Com orgulho, digo que tenho sessões dinâmicas e interactivas para todos os elementos do teatro educativo. Porque a solução está no trabalho de grupo. Porque temos que fazer pontes entre professores e alunos, entre alunos e professores, entre os encarregados de educação e os professores, entre a escola e a comunidade… Primeiro fui trabalhar como Coordenador Pedagógico num projecto de nome Schoolab, uma iniciativa que visitava escolas com filmes pedagógicos projetados dentro de um insuflável em forma de iglo. Fui Formador destes Animadores que dinamizavam as sessões. Criámos um Campo de Férias que juntou crianças e jovens de bairros carenciados e das classes mais favorecidas em termos económicos. Foi uma excelente experiência. E agradeço a uma professora (de quem não sei o nome) um elogio que mudou a minha vida. Um dia, dentro de um desses insufláveis, porque faltou um Animador, tive de ser eu a falar com as crianças. Ela elogiou de tal forma o meu trabalho e disse-me que era “ um excelente formador”. Ainda se ouvia pouco falar deste termo. A criação do Mundo Brilhante permite-me visitar escolas de todo o país e provocar os diferentes públicos para poderem melhorar. Agitamos. Queremos deixar marcas. Alfredo Leite, psicólogo, pai, 38 anos…um país para visitar, uma rede de escolas para tocar, um conjunto de pais e professores para aproximar, um mundo de alunos para encantar e…o coração da minha família para me fazer andar. Visite-nos: www.mundobrilhante.com Siga-nos no Facebook: Mundo Brilhante

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