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Porque mente uma criança?

Porque mente uma criança?

As crianças mentem por duas razões: porque para elas é “verdadeiro” ou por medo.

As crianças pequenas não sabem distinguir a fantasia da realidade, tudo é possível e tudo é verdadeiro. Os super-heróis que vêem na TV têm “mesmo” super-poderes, os animais falam, os barcos voam e as fadas têm capacidades mágicas.

Por outro lado, não tem percepção de que o outro tem uma existência individual da sua. O mundo que a rodeia é à semelhança do seu próprio mundo e não consegue perceber que existe uma outra realidade que não seja aquela que vê ou que sente. Dito de outra forma, se a criança está a ver, é porque existe, se não é, não existe. É por isso que uma criança pequena quando brinca ao “CuCu, ao tapar os olhos deixa de ver e acha que o outro não a vê a ela.

Então as brincadeiras e expressões, que para os pais podem não ser verdadeiras, para a criança são. Por esse motivo, que quando sonham e acordam assustadas precisam de ser tranquilizadas e não que lhes seja dito que era só “um sonho”, que não aconteceu de verdade, pois para ela é difícil fazer a destrinça entre ambos, para ela é real.

Este estado de indiferenciação vai, progressivamente, ganhando novos contornos através da interação com o outro e com o meio, até a criança desenvolver a capacidade de separar a fantasia da realidade. Por volta dos 4 anos o mundo do concreto começa a tomar forma e a partir dos 6/7 anos a criança já tem consciência que imaginar e mentir são situações bem distintas.

Então porque mente a criança?

A criança mais velha mente por medo: medo do castigo (não é a mesma coisa do que compreender as consequências), medo de falhar, medo de não corresponder às expectativas, medo de não saber, medo de desiludir, medo de…

Castigar uma criança que mente só vai alimentar esses medos, na medida em que reforça a causalidade do mentir. Uma abordagem adequada será perceber qual a maturidade da criança em relação á realidade e qual o seu grau de compreensão das consequências, ou seja, do impacto negativo que tem em si ou nos outros.

Outro tema importante a explorar é o da confiança, como sendo um valor fundamental na sua relação interpessoal. Explicar calmamente estas questões através de histórias, pequenos filmes, tentando que se coloque no “lugar do outro” são estratégias, normalmente, bem recebidas e bem conseguidas para as crianças.

Ter ainda em atenção que umas das principais formas de aprendizagem é a modulação de comportamentos. Se os pais dizem que não se diz mentiras, mas mentem ou, mais grave ainda, tornam as crianças cúmplices dessa mentira (mesmo nas chamadas “mentirinhas piedosas” pelos adultos) a instrução inicial dos pais perde valor e significado. Um exemplo típico é o “não digas nada à mãe” ou “o pai nem pode sonhar”.

Estimular a imaginação e a criatividade da criança é fundamental para que se desenvolvam de forma saudável. É importante que brinquem ao faz de conta, aos disfarces que imaginem. A fantasia favorece o desenvolvimento da inteligência, em termos cognitivos e emocionais e, paradoxalmente, facilita a separação entre o real e o imaginário. Ajuda a que percebam as consequências, inclusive, de mentir.

Crianças emocionalmente mais inteligentes tendem a não mentir.

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