Um dia acordas e o tempo passou assim…

Um dia esse monte de roupa por passar irá desaparecer. Muitas dessas peças já não farão parte da tua vida, estragar-se-ão ou serão doadas, deixarão de ser importantes para ti.

Um dia não terás pilhas de roupa para lavar. Terás a louça ordenadamente arrumada nos armários ou deixará de ser usada quando forem menos aí por casa.

Um dia, os brinquedos que hoje tens espalhados pela sala, estarão todos guardados em caixas devidamente identificadas, num canto escondido da tua casa e da tua memória.

Um dia a casa deixará de ter vestígios das migalhas que teimam em espalhar-se pela casa, esse ser pequenino que por aí circula.

Um dia o teu filho deixará de fazer birras.  Irás apenas recordá-las quando sentada num banco de jardim vires outra mãe a passar pelo mesmo.

Um dia não terás problemas de logística para sair de casa. Serás só tu e a tua bolsa. Chegarás rapidamente onde desejas, sem interrupções, e nessa altura perceberás como uma vida livre de imprevistos pode ser tão monotona.

Um dia o teu filho dir-te-á que é demasiado crescido para colo e que um abraço rápido é suficiente. Nessa altura tudo o que te irá restar será a nostalgia do tempo aproveitado ou o arrependimento por não teres aproveitado melhor esse tempo.

Um dia poderás dormir a noite a fio e acordar sem despertador. Por vezes ficarás sem pregar olho, irás pensar em como trocarias essas horas de sono por mais uma noite acordada/o com o teu filho junto ao peito.

Um dia o teu filho deixará de chamar por ti a toda a hora. Terás de te concentrar para conseguir recordar aquela voz que tão carinhosamente te procurava. O som daqueles pezinhos que te seguiam por toda a casa. A época em que eras tu o centro do seu mundo.

O tempo de contacto próximo com um filho passa assim – acordamos um dia, e já foi.

Enquanto os temos junto a nós podemos decidir viver este amor de duas formas – focados no que há para fazer ou focados no que jamais poderá ser feito, o essencial.

Publicado por Tânia Correia

Mestre em Psicoterapia Cognitiva-Comportamental, Lisboa Menina desde 1990, mãe desde 2015, mulher desde algures pelo meio até agora. Foi com base nestas três componentes – menina, mulher e mãe – e após descobrir o feito hercúleo que pode ser equilibrá-las que criei um blogue/página do facebook – a 3m’s. A entrada no mundo da maternidade rapidamente se revelou menos “purpurino-brilhante” do que havia imaginado. O cansaço, as incertezas, a dificuldade em lidar com a ambivalência de sentir vontade de seguir o meu instinto ou de respeitar tudo aquilo que me haviam incutido, as emoções contraditórias em relação a um momento que supostamente deveria ser feliz - tudo isto me levava a sentir uma mãe menos capaz. Além disso, o meu M de mulher havia perdido espaço, vivia nas sombras, reprimido, o que também trazia sofrimento. Surpreendentemente, não estava só, éramos muitas a sentir o mesmo, a precisar de alguém que validasse as nossas preocupações, que nos permitisse viver todos os nossos M’s sem culpa, que nos desse um abraço e afagasse a cabeça enquanto sussurrava ao ouvido que não temos de ser perfeitas – é esta a pessoa que tento ser e a marca que procuro deixar nos meus (nossos) artigos. Recentemente desenvolvi um programa de intervenção que transporta para a esfera real muito daquilo que ao longo do tempo foi partilhado na 3m’s. Poderei ser uma mãe que se sente completa, com disponibilidade para a sua prol, se não cuidar de mim enquanto mulher? Poderei ser uma mulher feliz se não me sentir uma mãe livre? Poderei viver os meus papéis de mulher e mãe ignorando a menina (a infância) que continua a viver em mim? Estas e outras questões são respondidas em grupo no programa 3m’s. Acompanhe-nos no facebook: https://www.facebook.com/3msmeninamulhermae/ Visite-nos no blogue: https://3mssite.wordpress.com/ Envie-nos um e-mail: 3msmeninamulhermae@gmail.com

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